a Hora da Etiqueta nas Gorjetas: onde, quando, como e porquê!

Em pleno verão, sinónimo máximo da época balnear, nada melhor que ter uma conduta na praia com a devida Etiqueta.

A MAGG desafiou-me a responder a uma entrevista sobre a Etiqueta nas Gorjetas! Curiosos? Ora leiam:

1 – Como surgiu o hábito de se dar gorjeta?

Surgiu há já muito tempo. Esse hábito começou desde o momento em que a profissão de empregado(a) de mesa se começa a perceber que era – e continua – menos bem remunerada e reconhecida no turismo, hotelaria e restauração. O hábito de se começar a dar gorjeta, independentemente da quantia, partiu precisamente daí, como forma de agradecer o bom serviço prestado à mesa.

2 – Em que situações se deve dar gorjeta?

Genericamente, em tantas quantas os clientes considerarem que devem atribuir um agradecimento monetário a quem as atendeu e serviu. No entanto, dá-se gorjeta apenas quando de facto fomos muito bem atendidos, talvez, até, acima daquilo que estávamos à espera. Nas situações em que as nossas expectativas são superadas.

3 – Todas as situações, mesmo que o serviço tenha sido espetacular, implicam uma gorjeta?

Nem todas, ainda assim. Depende apenas e tão só da boa-vontade do cliente. E isto é facilmente explicável porque qualquer um de nós, enquanto cliente, o que pagamos por algo pressupõe, por defeito, que tenhamos que ser obviamente bem servidos. E neste aspeto não há nem podem haver quaisquer dúvidas. Quer estejamos a falar de um café, um pequeno almoço/lanche numa pastelaria, um drink num bar, ou até mesmo de uma refeição num restaurante com estrela Michelin.

4 – Que valor é considerado insultuoso?

Acho que valor algum devia ser tão pouco considerado insultuoso. Cada cliente dá o que pode e quer quando assim o entende fazer. Por exemplo, um cliente que pague €50 e outro que pague €500, embora que os serviços sejam distintos, ambos merecem ser bem atendidos, tratados e servidos. Um cliente mais humilde pode ter dificuldade financeira para dar uma gorjeta generosa e arredondar a conta em apenas 5 cêntimos ou pouco mais que alguns euros. Por uma questão de etiqueta e boas maneiras o empregado(a) de mesa deve sempre, em toda e qualquer circunstância e ocasião, agradecer todas as gorjetas que os clientes lhe dão. Afinal, podiam muito bem não dar, não sendo prática instituída. 

5 – E que valor é considerado muito generoso?

Diria que qualquer valor que seja o dobro daquilo que o cliente pagou é já considerado um valor muito generoso, até mesmo metade daquilo que pagou já o é!

6 – Como é que se atribui um valor de gorjeta? Há uma fórmula ou tem muito que ver com a consideração pessoal de cada um?

Depende de cada cultura e respetivo país. Centrando-nos em Portugal, não existe uma fórmula convencionada. Basicamente, é “à vontade do freguês”. Mas sim, tem, antes de mais, a ver com a consideração individual de cada um de nós. Cada um dá o que entende e a mais não é “obrigado”.

7 – Dirias que em Portugal há uma cultura da gorjeta ou ainda ficamos muito atrás de países como os EUA, Europa e fora dela?

Em Portugal continua a haver uma cultura da gorjeta e estou convicto que nunca acabará. O ato de dar gorjeta varia de país para país e o valor da gorjeta também, tal como o tipo de situações mais indicadas para o efeito. Em determinados países (tais como: Estados Unidos, Canadá, Cuba, Índia, México, Reino Unido, Turquia e Uruguai.), dar gorjeta é uma imposição.  Em alguns países, a taxa de serviço é levada a sério e poderá ser mal interpretado se não a pagar.  Mas, para ficarmos uma noção, nos Estados Unidos e Canadá é geralmente 15 a 20% do valor total da conta. Nos restantes países acima mencionados dá-se em média 10%. No entanto, nalguns países fora da união europeia, é recomendável deixar gorjeta que corresponda também a 10% do valor total da conta, como é o caso de países como África do Sul, Egipto, Marrocos e Tunísia.

8 – O que é que é correto fazer quando se recebe uma gorjeta demasiado generosa?

Agradecer diretamente ao cliente pela amabilidade e simpatia demonstrada pela gorjeta incomum. Não precisa de lhe estar a prestar um ultra agradecimento que possa parecer demasiado constrangedor.

9 – Há situações em que se pode ou deve recusar?

Inevitavelmente há sempre quem recuse, sobretudo nos locais onde as gorjetas não são totalmente para o empregado de mesa, mas sim distribuídas por todos os colaboradores, inclusive a equipa de cozinha. De qualquer forma, não é de bom tom recusar, e muito menos estar o oferecer resistência perante o cliente que tanta questão faz de dar uma gorjeta. Quem dera aos empregados(as) de mesa que todos os clientes dessem gorjetas…

10 – Achas que já há estabelecimentos em Portugal onde o não dar gorjeta é olhado de lado?

Estabelecimentos propriamente ditos não diria. Agora chefias e empregados(as) de mesa não duvido. Nomeada e maioritariamente os que pertencem à velha-guarda da hotelaria, o que não deixa de ser natural, pois era uma prática bem mais comum. Mas, claramente que não devia acontecer!

11 – É preferível dar-se gorjeta em dinheiro físico ou acrescentar à conta e pagar por multibanco?

Ora bem, depende se porventura tenho ou não dinheiro físico comigo. Por outro lado, é mais tradicional dar gorjeta pessoalmente do que acrescentar à conta e pagar por multibanco que é já mais moderno e bastante prático e útil fazer-se. Se me colocar na posição de empregado de mesa, sem dúvida quem em dinheiro físico, até porque fico logo com uma noção mais real da quantia, sendo certo as gorjetas ficam automaticamente em minha posse caso não as tenha que dividir com os restantes colegas.

12 – Em serviços como a UberEats ou outros com estafetas, faz sentido dar-se gorjeta?

Sim, porque não? É um novo serviço, o da UberEats, aliás como qualquer outro. Eu já tenho dado com muito gosto. São pessoas que exercem a sua profissão tal e qual com o devido brio como todas as outras. Não deixa nunca de ser meritório esta tipologia de serviços prestados que tão necessários se tornaram. Para nós, é um serviço que nos facilita e muito a vida no dia a dia ou ocasionalmente.